Fábio Soares
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Nós malhamos Dunga pela convocação desastrosa, pela arrogância nas entrevistas, pela insistência na tal coerência profissional que o levou a sustentar uma equipe de jogadores montada há seis meses antes do inicio da Copa do Mundo, e que o levou a ignorar o clamor popular pelos meninos da Vila, por exemplo. Entretanto, depois de uma desclassificação humilhante, Ricardo Teixeira, presidente da CBF, resolveu contratar um técnico para a seleção brasileira e parou de brincar de experimentos bem ao estilo de acadêmicos do ensino fundamental nas aulas de ciência ao dessecar indefesos répteis.
Dunga foi chamado muitas vezes de “burro”, mas, em nenhum momento, Teixeira teve, como alcunha depreciativa, o nome de “jumento”. Ele foi quem convocou um ex-jogador de futebol e, autoritariamente, quis transformá-lo em técnico, ignorando nomes ilustres como os de Mano, Felipão, Vanderley, Paulo Autuori, Abel Braga, Muricy, etc. Depois de um fracasso grosseiro e, talvez, temendo as críticas da opinião pública, passa a procurar treinadores competentes e motivar o povo brasileiro para a Copa de 2014. Usamos a palavra “talvez” pelo pressuposto desdenho ideológico desses nossos governantes (nesse caso, o que governa o nosso futebol). A maioria não tão nenhum pouco preocupado com o julgamento da opinião pública, pois sabem que sempre vão estar deitados “em berço esplêndido”; sabem que seus tronos jamais serão abalados diante de algo tão “pequeno” como, por exemplo, perder uma copa do mundo. Isso aconteceu com Eurico Miranda, no Flamengo, está acontecendo com o onipotente Teixeira, e acontece corriqueiramente na política brasileira, com nomes conhecidos aos mais altos postos da administração pública.Vocativos interessantes podem nos levar a uma reflexão, tanto para uma política público-administrativa, quanto para a Copa de 2014: “Dunga, burro!” e “Cala boca, Galvão!”. Esses apelativos representaram o anseio popular no que se refere 1º) não aceitamos mais que a (burrocracia!) burocracia, a coerência desmedida e o mecanicismo técnico tomem conta do nosso futebol, e 2º) não aceitamos a ditadura democratizada da (in) gerência e das decisões do destino do nosso futebol; parafraseando o rei Ruan Carlos, falando a um não menos ditador, “Teixeira, porque não te calas!”
Calar, nesse caso, não significa reprimir o direito constitucional de alguém a expressar seu pensamento, mas essa expressão se insere num contexto metafórico que vai além do mundo futebolístico. Precisamos abafar a voz ideológica que leva, por exemplo, um político a passar 30 anos no poder, como nosso representante, sem nos garantir/legar acesso a uma educação com qualidade, um serviço de saúde que alcance todas as necessidades da população, etc. Se formos analisar, os nossos principais candidatos estão investindo na quarta, quinta ou sexta candidaturas consecutivas, enquanto o caos está instalado nos nossos hospitais, nesse período epidêmico onde os vírus se propagam, e enquanto contemplamos nosso sistema educativo beirar o fracasso. Já perdemos várias “copas” e temos que também procurar não apenas um técnico de futebol competente, mas um administrador que nos leve ao status de país/estado desenvolvido. Precisamos, quando formos às urnas, dizer não, com o nosso voto, a esse estado de “coerência” e a esse fatalismo historicamente enraizado que nos leva/confina ao Terceiro Mundo (que mundo!), tanto no futebol, quanto país candidato a 4ª potência econômica na próxima década.