Em tempos de Copa do Mundo, dizem que todo brasileiro calça chuteiras; mais: quse todo tupiniquim é técnico de futebol. Os jogos, todos eles, atraem milhares de "apaixonados" pelo esporte bretão que, para não ficar fora de contexto em conversas de botequim, aprendem, gravam e pronunciam corretamente nomes de sérvios, alemães, africanos, japoneses, coreanos.
Estávamos no mês de junho de um ano qualquer. Mais uma Copa do Mundo. Fui à casa de meu compadre para tomar cerveja e jogar conversa fora. O pai do anfitrião, oitenta e poucos anos, estava assistindo a um jogo transmitido pela TV, e, de repente nos chamou a atenção:
- Vocês podiam falar um pouco mais baixo? Estão me atrapalhando aqui...
Utilizando forma velada para pedir desculpas perguntei:
- Seu Zé, quanto está o jogo?
Zé Leitão, dirigindo-se ao filho que estava no quarto assistindo à mesma partida, gritou:
- Silvan! Quanto tá o jogo?
- Três a um! – Lá de dentro, veio a resposta.
Resolvi alongar conversa:
- Seu Zé..., quem tá jogando?
Ele me olhou meio aborrecido e, uma vez, mais gritou:
- Silvan! Quem tá jogando, meu filho?
- França e Suécia, pai!