Arma secreta

Seg, 28 de Junho de 2010 22:16 Administrador
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Nunca joguei futebol. Só me convidavam para peladas quando eu era o dono da bola. Não podia insistir. Até onde sei, ninguém de minha família teve queda para o esporte bretão.

Daniel, meu filho, puxou para a família da mãe. Desportista (dos bons), é artilheiro do Carandiru Futebol Clube, time que faz sucesso pelas quadras de futebol society do Distrito Federal.

Aos seis anos de idade, meu garoto iniciou-se na vida de peladeiro. Tentando ser bom pai, eu o incentivava comprando bolas e equipamentos para o Zepinheiro - time que montei com a meninada do BNH I e alguns frequentadores do Clube dos Oficiais do Sexto BEC. Hidelbrando (goleirão), André, Márcio, Bruno, Diego Leite, Diego Amaro, Black, Orelha (apesar do tamanho das oiças, sabia lidar com bola nos pés) e Polaco, entre outros, faziam parte do meu escrete.

Sem conhecimentos de futebol, tornei-me técnico. Não era difícil, o time era bom e os meninos sabiam como lidar com a pelota.

Polaco, bem desenvolvido para idade, era ruim de bola. Grandão, desajeitado, coloquei-o na zaga. O filho de Robin Rivero passava mais tempo no banco de reservas do que em campo, pois eu tinha medo que, com sua força, ele matasse eventuais adversários.

Era 12 de outubro - não me lembro de que ano. A diretoria do COB promovia um torneio de futebol de salão e nosso time era favorito para ganhar o troféu. Final: Zepinheiro Futebol Clube X Atlético R. Neves. Técnicos: Aroldo Pinheiro e Zé Geraldo.

Zepinheiro ganhava de 2X0, quando Orelha, nosso craque maior (embora fosse o mais mirradinho de todos) se contundiu. A equipe do R. Neves aproveitou-se do desfalque e virou o jogo: três a dois.

A garotada queria ouvir orientações técnicas. O banco, em polvorosa, pedia substituição. Mandei Polaco para o aquecimento. Antes de entrar em campo, minha arma secreta perguntou:

- Tio, o que eu faço?

- O que você sabe fazer, Polaco: Quebra!

Ganhamos o jogo (5X3) e o torneio. Enquanto meus meninos comemoravam a vitória com volta olímpica, três jogadores do R. Neves eram atendidos na enfermaria do clube.

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