Juízes, principalmente eleitorais, sobrecarregados, têm que votar semanalmente alguns processos que se arrastam desde os pleitos mais recentes. Esses fatos se tornaram tão corriqueiros que palavras antes limitadas aos ambientes forenses e conversas de juristas passam a integrar a linguagem do povo. Quórum, acórdão, habeas corpus, pedido de vista, recurso, instâncias - superiores e inferiores -, Ministério Público, nepotismo, peculato, entre outros termos, são usados a torto e a direito pela plebe ignara (Desculpe, Stanislaw, não pude segurar).
Tem até analfabetos arriscando frases em latim. Outro dia, depois de tomar nota da fezinha de dona Ambrosina, o apontador de loteria zoológica entregou a pule à esperançosa viúva e disparou: "Alea jacta est". A gorda não entendeu nada, mas agradeceu.
Outro exemplo que merece registro: Marinete vinha levando surras do marido todo fim de semana. Cansada de apanhar, no último sábado, depois de receber corretivos, chamou a polícia. Adalberto, o algoz, só se acalmou depois que um dos homens da lei deu-lhe "uns chega-pra-lá" - daqueles que só policiais sabem dar. Ao vê-lo imobilizado no camburão, a vítima disparou: "E ele já tem jurisprudência, sargento: esse desgraçado me bate de 1981".
Mais um: Merandolina, muito cedo, emperiquitou-se e dirigiu-se à Assembleia Legislativa para um debate sobre Educação. Lá, descobriu que o encontro tinha sido cancelado. Em casa, o marido perguntou sobre a reunião; injuriada, a resposta: "Não teve: faltou ‘cloro’".
E esse é na área econômica: na Praça das Águas, a fornecedora de jambu veio cobrar a tacacazeira:
- Comadre, o Natal tá chegando e a gente precisa se acertar...
- Olha, dona Maria, me dê mais um tempo... Assim que sair o dinheiro dos precatórios, eu pago a senhora.
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É. Deixem-me ir. Tenho que consultar o Vade Mecum.