Agora deu. Não bastam Edir, Waldomiro, RR e outros missionários dizendo ter linha direta com Deus, o ex-presidente do Brasil e senador pelo Amapá, José Sarney, garante manter contatos com o além. Na última sexta-feira de 2011, durante missa em São Luis, no Maranhão, o novo messias disse ter ouvido vozes aconselhando-o a manter a Fundação José Sarney. Desculpem a intromissão desse escrevinhador, mas, conservar qualquer coisa com dinheiro dos outros, até eu conservo.
A Fundação José Sarney, criada pela megalomania do atual presidente do Senado, consome 80 milhões de reais por ano e enfrenta, desde 2009, denúncias de desvio de verbas para empresas fantasmas. Em 2011, por meio de decreto, aprovado pela Assembleia Legislativa do Maranhão e sancionado pela governadora Roseana, filha do senador sensitivo, a instituição teve o nome mudado para Fundação da Memória Republicana e mantém acervo de documentos e obras de arte da época em que o senador presidiu a República. Quer dizer, para alimentar a vaidade do clã Sarney, os pobres regueiros dançam debaixo do boi.
Estará José Sarney, do alto de seus mais de 80 anos, ficando senil? Há grandes possibilidades de que as vozes sejam de fantasmas que o senador criou e alimentou ao longo da vida política.
Cada povo tem o messias que merece.