O Troco

Qui, 19 de Janeiro de 2012 20:15 Administrador
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Bartz Vogel, holandês, estivador no porto de Amsterdã, conversando com uns conterrâneos, soube da existência de uma terra bonita por natureza. Trabalhou duro, economizou e, no mês de dezembro, quando os termômetros da Europa congelam, ele desceu no aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza.

Em busca de euros, as piriguetes faziam fila na recepção do hotel. Bartz endoidou. Pagando o equivalente a um Big Mac, saiu com diversas meninas: uma, duas, três por noite. Às vezes, duas ou três no mesmo quarto.

Em Cumbuco, o holandês conheceu Jandira. O fogo da cearensezinha mexeu com o coração do cinquentenário. Voando para seu país, Bartz levava saudade e o desejo de estar com aquela menina por muito mais tempo.

Em sua terra, o estivador contava as maravilhas das férias para amigos: "Olha, com dez euros, você toma uma caipirinha e recebe o troco em vaginas".

Nem bem começara o verão e cá estava Bartz para uma segunda temporada na Terra de Iracema. Desta vez, alugara um apê para ficar mais à vontade com periguete.

Em setembro, Jandira disse a Bartz que estava grávida. "No problem, nois vai criar o menino e trazer você e ele para Holanda".

Em abril, Bartz veio para o nascimento do herdeiro. Ficou dois meses em Fortaleza e voltou para sua terra com a convicção de que, em pouco tempo, levaria Jandira e Júnior para a Europa.

No dia em que Juninho completou um ano, Jandira comunicou nova gravidez ao companheiro. "Nao tem problem, como dizem os brasilianos, onde come uno comem diez", resignou-se com bom humor o holandês.

Entre idas e vindas de Bartz ao Brasil, Jandira teve quatro meninos. Tudo bem. Com a herança deixada pelo pai, o estivador comprou imóvel em tranquilo bairro de Amsterdã e decidiu levar toda a família para a Europa. Para legalizar a companheira e a prole em solo holandês, o consulado exigiu exames de DNA comprovando a descendência das crianças. Jandira reclamou, mas decidido, o senhor Vogel encarou as exigências.

Decepção, os quatro exames mostravam DNAs diferentes. Nenhum deles combinava com o de Bartz.
Hoje, enquanto Jandira sai para vender o corpo, os quatro galeguinhos ficam na casa da vizinha. Bartz, entre os amigos, virou motivo de chacota. De vez em quando, alguém ataca: "E aí, companheiro, é no Brasil que, com dez euros, você toma uma caipirinha e recebe o troco em chifres...?"

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