
Se hoje qualquer pessoa é capaz de manusear uma câmera digital, tirar fotos e produzir um álbum de família, há 35 anos ninguém sequer imaginava que tal tecnologia pudesse avançar tanto. Câmara escura, rolos de filmes, palavras “negativo” e “positivo” e a máquina analógica, que já foi um dia moderníssima, ficaram no passado. No passado também ficaram os chamados lambe-lambes, conhecidos por trabalhar nas praças tirando “retrato” de pais com os filhos.
Normandy Litaiff, história viva da fotografia, conheceu desde o pipocar da “câmara-canhão”, motivo de risos nos filmes de época, até o simples apertar de botão seguido do silencioso “clic” da câmera digital.
Dos 70 anos de idade, quase 60 deles foram dedicados à fotografia. Amazonense da cidade de Coari, começou como lambe-lambe na Praça da Matriz, em Manaus. O ofício seria um “bico” para ajudar a família, mas logo se tornou profissão.
Litaiff viveu em tempo que a foto levava três horas para ser feita e mais cinco dias para ficar pronta e ser entregue ao cliente. “A gente esperava a água da chuva para lavar as fotos em preto e branco”, conta que a técnica eliminava a química e dava mais durabilidade à imagem.
Saindo da praça foi para as redações de jornais da capital manauara. Por lá ficou quase 40 anos, pelo menos três décadas dedicadas ao matutino A Crítica, onde se aperfeiçoou como fotojornalista.
Em Roraima, acompanhou os governos Neudo Campos, Flamarion Vasconcelos, Ottomar Pinto e o atual José de Anchieta. Problemas de saúde afastaram o fotógrafo do ofício, mas a memória continua plena.
Do salto da “foto pólvora”, como se refere à câmara escura, que precisava de três pessoas para carregar o equipamento de tão pesado que era, Litaiff viu a analógica chegar como o grande invento do homem moderno. Rapidez e instantaneidade nas fotos ficaram conhecidas nas pequenas ferramentas com seus rolos de filmes de 100 e 400 Asa.
Quando pensava que já tinha presenciado tudo que é de mais moderno, chega a digital com novas possibilidades. “Com ela você pode fazer ensaio na hora, enquadrar, corrigir e, depois, fazer as fotos definitivas com correção de luz e iluminação”, diz.
Os novos recursos, porém, não tiraram o que, para o experiente fotógrafo, é considerado indispensável. “Podem ensinar a parte mecânica, funcional do equipamento, mas a sensibilidade é individual”.
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