:: Últimas Notícias
  • Pause
  • Previous
  • Next
1/7

Boletim eletrônico

Receba as notícias em seu e-mail.


Inicial Cotidiano Frete, sanfona e baião

Frete, sanfona e baião

Ter, 12 de Janeiro de 2010 19:25 indiclefler
Imprimir PDF
O banquinho improvisado debaixo do pé de oiti é o ponto de trabalho de José Aristides de Almeida. O paraibano é dono de um caminhão Agrale com carroceria de madeira, comprado de segunda mão, para fazer frete na Feira do Produtor.

A máquina azul pavão, ano 92, fica estacionada na avenida Glaycon de Paiva todos os dias à espera de clientes. Se o cliente demora, Aristides abraça a sanfona, guardadinha na boléia do caminhão, arrasta a zabumba e o triângulo e distribui entre os colegas de trabalho. Não demora muito, se encostam um, dois, três e formam uma roda para ouvir músicas do Rei do Baião.

Dirigir é ofício que começou aos 25 anos de idade. Cantador foi lição de vida, herdada do pai, que sustentava a família cantando no sertão da Paraíba. Começou tocando cavaquinho, aos oito anos, mas foi pela sanfona que o menino se apaixonou e nunca mais largou.

Aos 50 anos, Aristides ainda conserva os cabelos encaracolados na altura dos ombros. Lembra a moda dos anos 70, quando Roberto Carlos arrancava suspiros das menininhas vestidas em suas modernas minissaias e sapatos plataformas. Os cachos, agora grisalhos e ralos, ainda são bem arrumados pelo cantador que diz estar solteiro. A última mulher era valente, jogou as roupas dele no meio do terreiro. “Fiquei escabreado”, conta rindo escondido atrás do inseparável par de óculos escuros.

Os amores espalhados pelo Brasil durante andanças como caminhoneiro fazem parte do passado.  “Vou morrer barrasco”, diz brincando ao se comparar com porco velho.  A simpatia e o bom humor contrariam as previsões do cutião.

Criado no meio da “safonagem”, Aristides não resiste mesmo é ao fole do acordeão. Quando abraça o instrumento não quer mais largar. A carroceria do caminhão “três quartos” vira palco improvisado. Lá de cima, o cantador entoa Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Quem olha de baixo se sacode e faz coro quando escuta “Asa Branca” e “O Xote das Meninas”.

A diversão já rendeu até dinheiro extra. Vez ou outra, surgem convites para tocar em aniversários e festas particulares. Para cumprir contratos, o paraibando escala pessoal treinado para não desafinar na hora de se apresentar. “A música é uma terapia”, resume a paixão de menino.

Por Eliane Rocha

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar