:: Últimas Notícias
  • Pause
  • Previous
  • Next
1/7

Boletim eletrônico

Receba as notícias em seu e-mail.


Inicial Especial EMPREENDEDOR - Muitos são e não sabem

EMPREENDEDOR - Muitos são e não sabem

Qui, 15 de Abril de 2010 23:24 Administrador
Imprimir PDF

Os três filhos do metalúrgico Ronaldo Martins dos Santos, conhecido na praça como Lobão, estão tendo a oportunidade de estudar sem precisar trabalhar. Atualmente, após anos de muito suor, Lobão pode proporcionar uma boa educação, saúde e conforto aos filhos Diego, Fábio e Gabriel.

Ronaldo é dono da Metalúrgica Lobão, uma empresa já consolidada no mercado. Com o dinheiro das vendas de portões, janelas, esquadrias e portas, Lobão já adquiriu um terreno de 510 metros quadrados, dois carros e uma moto. Há poucos meses, Lobão resolveu investir no segmento de materiais de construção e parece que o negócio está dando certo.

De garimpeiro a empresário

Para Lobão, garimpo foi um aprendizado. Hoje a realidade é outra

Hoje, quem conhece esse empresário bem sucedido, tranquilo e brincalhão, não sabe das dificuldades que enfrentou na época em que era garimpeiro.

Maranhense de Barra do Corda, Lobão, como gosta de ser chamado, chegou a Boa Vista em 1988, com apenas 25 anos. Saiu do Nordeste e foi direto para o garimpo Novo Brasil, em Manaus (AM), de onde saiu de helicóptero após seis meses, pois na pista de pouso o avião não decolava com passageiros.

O segundo destino de Lobão foi o garimpo na beira do rio Catrimani. Após oito meses, e sem dinheiro, o maranhense (com coração roraimense) seguiu para a Venezuela em 1992, época do Golpe Militar. Nesse mesmo ano, o garimpo foi fechado e Lobão voltou para Boa Vista.

“Dessa vez fui cavar vala”, disse Lobão, usando a linguagem de garimpeiro. Cavar vala é a mesma coisa que ajudante de pedreiro.
Mesmo com o garimpo fechado, Lobão (que já pegou mais de 30 malárias) não desistiu de achar uma “bolada” de ouro ou diamante. Desta vez, voltou para Venezuela, agora casado com Silvânia Santos e com Diego no colo, primeiro filho do casal.

“Eu trabalhava em cima do ouro. Foi quando acertei um diamante. Peguei a mulher, o meu filho, enchi uma mala de dinheiro e voltei para Boa Vista”, lembra Lobão.

Sem profissão, as dificuldades apareceram

Depois da conversão das moedas, do Bolívar para o Real, a mala secou. Lobão ainda comprou um terreno e construiu uma casa. Sem profissão, ele tinha que sustentar a família. No momento das dificuldades, nasceu o segundo filho.

“Na época do Fabinho (segundo filho do casal), quando estava aprendendo a profissão de serralheiro, o Lobão chegava em casa com os olhos vermelhos por causa da solda e sem dinheiro. Foi o momento mais difícil que nós passamos”, frisou Silvânia.

No quintal da casa, Lobão abriu uma serralheria e logo veio a sociedade. “Tive que aprender a soldar em três meses. Aprendi na marra”, disse. Após seis meses, Lobão comprou a parte do sócio. Por causa de reclamações de vizinhos, saiu do quintal da casa e foi para um prédio alugado. Ali começaram os empreendimentos Lobão.

Em 2004, Lobão comprou um terreno parcelado em 60 vezes com parcelas de R$ 500,00. Mas, em apenas dois anos a área foi quitada. Os negócios melhoraram e Lobão não parou de investir.

Mão-de-obra qualificada é escassa

Uma das grandes dificuldades que Lobão enfrenta no dia-a-dia é a mão-de-obra. “Só trabalho com material bom. Priorizo a qualidade do serviço. O acabamento não é qualquer serralheiro que faz bem feito. Tudo que é fabricado aqui é revisado por mim. Quando tem algum problema, o material é recolhido”, afirmou.

Lobão disse ainda que já devolveu dinheiro para cliente por não ter mão-de-obra. “Já devolvi dinheiro. Quando a procura aumenta, não consigo suprir a demanda. Conseguir profissionais qualificados é difícil. Tenho dois funcionários que aprenderam a soldar aqui em mais de um ano e meio de serviço. Hoje eles são excelentes profissionais”, garantiu.

“Já ouvi falar, mas não sei o que é”, diz Lobão


As empresas de Lobão empregam nove funcionários e cada serralheiro ganha por semana em torno de R$ 300,00. Questionado se é um empreendedor de sucesso, Lobão foi enfático. “Já ouvi falar, mas não sei o que é”.

Lobão lembrou que amigos garimpeiros ganharam muito dinheiro, porém gastaram tudo o que tinham. “Hoje, muitos passam necessidade e muitos ainda vivem em garimpos clandestinos”, declarou.  

Educação dos filhos é prioridade


Lobão estudou até a 8ª série e largou os estudos em 1982. A prioridade é proporcionar aos filhos tudo aquilo que não teve na adolescência. “Quero que eles estudem para ser alguém na vida. Eles estão tendo uma chance que nunca tive”, frisou.

 

Por Alberto Vilas Boas - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.


Fotos: Alberto Vilas Boas

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar