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A história de Girvaldo do Santos começou no interior do estado de São Paulo, passou por Mato Grosso, Goiás e continua em Roraima. Aprendeu a trabalhar na lavoura com os pais e hoje é o maior plantador de milho verde de Roraima.
Os dois filhos (Gabriel e Jackeline) e a primeira mulher ficaram em Goiás. Depois de um período de adaptação, Girvaldo trouxe a família. “Entreguei os experimentos da soja e milho para a Cooperativa e depois segui a minha vida. Vi que aqui tinha espaço para plantar milho e para produção de grama e por isso resolvi ficar”, disse.
Girvaldo já trabalhava com lavoura de milho e na produção de grama onde morava. As oportunidades começaram a aparecer. Em seguida, em 2000, surgiu o convite de Ottomar Pinto, prefeito à época, para comandar o Horto Municipal. Girvaldo ocupou o cargo um ano e meio.
O bom trabalho feito com grama deu grandes resultados. Girvaldo fez os campos dos estádios Canarinho e Ribeirão, além de inúmeros outros espalhados pela cidade.
Irrigação deficiente + alto custo = queda de produção
Em 2004, Girvaldo adquiriu uma área há 30 quilômetros da capital com 220 hectares. Sem dinheiro, Girvaldo utilizava a irrigação de altopropelido, também conhecido como canhão. O altopropelido é um sistema de irrigação por aspersão móvel movimentado por energia hidráulica.
“Minha lavoura oscilava muito devido ao tipo de irrigação. Não é um equipamento apropriado para a nossa região em virtude da intensidade do vento”, explicou o agricultor.
Com a seca, as vendas despencaram
Em 2009, além da crise econômica, veio a seca. Devido à falta de chuva, a incidência de pragas na lavoura é muito grande. Dos 60 hectares de área plantada, a produção caiu 50%.
“Essa crise refletiu em tudo. Meu custo aumentou e as vendas caíram. Não tinha como repassar esse custo para o consumidor. A falta de chuva atingiu até no hábito do consumidor. Quando há chuva, o cliente quer comer algo quente, como o milho, pamonha e a canjica”, frisou.
Girvaldo confessou que pensou várias vezes em desistir. No período de maior dificuldade, ele ouviu os conselhos de Liduina Gomes, atual esposa. “Ela me deu força para continuar acreditando. Eu era o único que plantava milho no Estado. Mesmo com os problemas, não podia desistir”, destacou.
Pivô Central foi a solução
Havia somente uma solução para Girvaldo: trocar o sistema de irrigação. Com ajuda de familiares e amigos, Girvaldo adquiriu um pivô central. “É uma irrigação apropriada para a minha cultura, porque tem um custo menor, mais agilidade, maior produtividade e tecnologia avançada”, destacou Gil, como é chamado pela esposa.
Com a nova irrigação, houve um aumento de 40% da produção com relação ao ano passado. “Hoje tem milho de qualidade o ano inteiro, porém o problema agora é para quem vou vender esse milho”, enfatizou Girvaldo
“Roraima não tem mercado”, afirma Girvaldo
Segundo Girvaldo, Roraima não tem mercado para consumir o que planta. A solução foi vender para o Amazonas. “Roraima tem uma população considerável, mas não tem consumo. Como Manaus não tem produção devido à intensidade das chuvas, estamos entrando no mercado do Amazonas”, explicou.
Uma parte da produção abastece o mercado de Boa Vista e a outra metade vai para a rede de supermercado DB, em Manaus. “A solução foi Manaus, mas ainda temos que intensificar a ideia”, disse Girvaldo.
Pamonha e canjica são os carros-chefe
São produzidos 15 mil pamonhas e nove mil canjicas por mês
Além do milho verde, que é entregue para mais de 30 famílias todos os dias, são produzidas 15 mil pamonhas por mês e mais de nove mil canjicas. São gerados 12 empregos diretos. “O empreendimento é coordenado pela minha esposa. A produção chega a duplicar no período de junho e julho”, disse Girvaldo.
A técnica para fazer a legítima pamonha goiana foi repassada pelos pais de Girvaldo, dona Aparecida e seu Ornildo. O sabor da pamonha e da canjica já conquistou o paladar do boa-vistense, que já é conhecido por todos os cantos da cidade.
“O incentivo e a força da minha mulher foram fundamentais para o nosso sucesso. E tenho também que agradecer aos amigos e colaboradores que nunca deixaram de confiar no nosso trabalho”, agradeceu Gil.
Mais da metade da área é preservada
Girvaldo fez questão de enfatizar que metade da área total de sua terra é de preservação permanente. “Tenho todas as licenças ambientais para trabalhar. Obedeço à legalização vigente. A reserva legal está intacta”, afirmou Gil.
Por Alberto Vilas Boas -
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Comentários
Sou goiano de Goiatuba, moro em Sao Luis - MA. Tenho um sonho de montar uma pamonharia aqui em Sao Luis, tenho pesquisado bastante sobre o assunto.
Aqui no Maranhao nao tem oferta de milho verde o ano todo, nem a qualidade que precisa para tal.Eu gostaria de produzir meu proprio milho. Voce poderia me ajudar a realizar este sonho?
Atenciosamente Sergio Vieira Naves
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