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Inicial Especial Eliane Rocha: mais um

Eliane Rocha: mais um

Ter, 24 de Maio de 2011 01:51 Administrador
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Eliane Rocha, jornalista formada pela Universidade Federal de Roraima, arrebatou o quarto troféu de sua carreira. Desta vez, o Prêmio Sebrae de Jornalismo – 3ª Etapa. Em solenidade presidida pela superintendente do Sebrae-RR, Luciana Surita Mota Macedo, na sala do Conselho da instituição, às 17h de sexta-feira (20), a roraimense teve a reportagem "Se plantar, nasce" indicada como a melhor dentre os muitos trabalhos inscritos na categoria Jornalismo impresso.

Pessoa simples, com jeito moleque, mostrando proeminente barriga no oitavo mês de gravidez, Eliane participou do concurso representando o Jornal Roraima Hoje. Esperançosa, enquanto aguarda resultados das etapas regional e nacional, declara: "O fato de concorrer com mais de mil trabalhos já me torna vitoriosa. Certamente este é o prêmio mais importante que recebo em seis anos trabalhando na profissão que escolhi, me formei e exerço com muita dignidade".

Os vencedores das próximas etapas serão apontados em Brasília (DF), no dia 1º de junho. Eliane receberá passagem e pagamento de estadia para assistir – e, quem sabe, ganhar mais alguns prêmios. Lamenta não poder viajar, pois a gravidez em estado avançado não permite. Conforme faculta a comissão organizadora do Prêmio, indicará alguém para representá-la.

A jornalista roraimense já está acostumada a prêmios. Em 2007, arrebatou o primeiro lugar do concurso "Jornalista ‘amigo do peito’", promovido pela Secretaria de Estado da Saúde; naquele mesmo ano, foi primeiro lugar no Prêmio Laucides Oliveira, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas de Roraima (Sinjoper); e, em 2010, recebeu o Prêmio Sebrae de Jornalismo Empreendedor, promovido pelo Sebrae Roraima. "Quando se ganha prêmio em casa, sempre surgem comentários dizendo que alguém passou a mão na tua cabeça ou que alguém fez a tarefa de casa no teu lugar. O julgamento deste concurso, feito em diversas etapas, por jurados de diversos estados e do Distrito Federal, é prova de lisura e imparcialidade".

À reportagem do RH, Eliane declarou: "Eu nunca ganhei um concurso sozinha. Sempre tive ajuda de pessoas inteligentes, perfeccionistas, incansáveis e que, acima de tudo, gostam do que escrevo. Neste, contei com ajuda de um bom jornalista - se não o melhor, ele é mais pentelho que já conheci. Devo a ele o esmero pelos meus textos.

Continua: "Bons fotógrafos, como Edinaldo Morais que, com sua simplicidade, me ensinou a ser do meu tamanho e France Telles, que quando se espalha ninguém junta - mas tem amor pelo que faz – têm seus méritos em minhas premiações. Os olhares diferenciados desses dois profissionais enchem a vista de quem se depara com os trabalhos deles. Em meus textos, deixam o leitor com vontade de descobrir o que tem por trás daquelas câmeras".

Tagarela, ela segue dividindo méritos: "Flávio Mendes é outro ator que não posso deixar de citar. A diagramação de Jumentinha [apelido de Flávio na Redação] faz meus escritos deslizarem sobre a página do jornal. Não bastam só as palavras, é preciso emoldurá-las para torná-las mais atraentes à leitura. Flávio consegue fazer isso".

E encerra: "A todas essas pessoas, que estiveram diretamente envolvidas em meus trabalhos, quero deixar registrados os meus sinceros agradecimentos, pois tenho certeza que, sem eles, não subiria um degrau nem estaria com mais esse prêmio".

Johan Barbosa, da TV Roraima (canal 4), ganhou na categoria Telejornalismo.

Origem humilde, estudante da rede pública, premiada

Terceira de quatro irmãos - dois homens e duas mulheres -, nascida em família simples, Eliane prova que, com esforço e determinação, qualquer um pode chegar aonde ela chegou. E seguir adiante. O Ensino Fundamental foi feito na Escola Estadual Costa e Silva; o Segundo Grau, na Gonçalves Dias. 1991. A seguir, sem condições de pagar cursinho, tentou vestibular para Medicina. Três tentativas infrutíferas. Desistiu. Resolveu dar prioridade à sobrevivência.

Arranjou emprego em escritório de pequena construtora, mas logo descobriu que o proprietário estava mais interessado na mocinha do que nos serviços de secretária. Rueira, com o dinheiro ganho comprou uma bicicleta lilás e aproveitava as horas de folga para pedalar pela cidade. Ao atingir maioridade, conseguiu empregos no posto de saúde do bairro 31 de março, na Prefeitura de Boa Vista e no posto de saúde Sílvio Botelho.

Vendo a necessidade de buscar conhecimentos específicos, Eliane fez curso Técnico de Higiene Dental (THD) no Sesi e, habilitada, conseguiu vaga na instituição. Não demorou muito. Por contenção de despesas, o serviço foi extinto, mas ela foi convidada para trabalhar como secretária da superintendente na mesma repartição: "Naquela oportunidade, aprendi a ser organizada, prática, ágil e esperta", diz, enfatizando a palavra esperta.

Em 2000, nove anos depois de concluído o Segundo Grau, Eliane resolveu fazer cursinho (pago com seu salário) e tentar vestibular para Jornalismo. Achava que o fato de tagarelar se encaixava na profissão. Aprovada, frequentou a academia durante quatro anos e, em 2004, a filha de Malaquias e Maria José tornou-se a primeira pessoa da família a ter diploma universitário.

Eliane diz ter certeza de que escolheu a profissão certa: "Sempre gostei de falar mais do que a boca permitia. Associava a Comunicação ao ato de falar. Não tinha a menor ideia do que era ser jornalista".

Depois de penar em alguns jornais, emissoras de rádio e de televisão, tornou-se reconhecida profissional de fato no jornal Roraima Hoje. "A redação do RH é uma espécie de família; Flávio Rabello, proprietário, é muito humano e, talvez para compensar os baixos salários, nos dá condições e liberdade de criar".

Em 2009, Eliane terminou curso de especialização no Instituto Brasileiro de Pós Graduação e Extensão (IBPEx): Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias. Por algum tempo, desempenhou funções na Redação do jornal Roraima Hoje, na docência do curso de Jornalismo da Faculdade Atual da Amazônia e na Secretaria de Comunicação do Governo de Roraima. Nesta, chegou ao cargo de diretora. Hoje, dedica-se exclusivamente à chefia de Comunicação do Ministério Público Estadual.

Incomodada com os rumos que a educação vem tomando e o desinteresse do alunado, Eliane desistiu de dar aulas por achar "que os jovens se deslumbram facilmente com as câmeras e com assinaturas em páginas de algum periódico. Acham que trabalhar numa redação já os faz jornalistas. Eles não se preocupam com ortografia, não leem, não pesquisam, não questionam e, muitas vezes, nem sabem o que estão escrevendo. Pensam que Jornalismo é um holofote que estará sempre apontando para eles. Todos se acham um William Bonner ou uma Fátima Bernardes".

Ao falar sobre o ensino brasileiro de modo geral, ela volta ao passado: "O ensino já era deficiente no meu tempo. Naquela época, eu levava meu material num saco plástico: lápis, borracha e caderno sem arame (só quem tinha mais dinheiro usava cadernos com espiral). Hoje, o governo dá fardamento, dá material escolar, mas as crianças continuam não aprendendo nada". Questiona e critica: "Onde está a falha? No sistema que gosta de mostrar números, apresentar cartilhas e criar fórmulas para não reprovar, ou dentro de casa? Atualmente, os pais só vão à escola no primeiro dia de aula, levando o material solicitado dentro da bolsa do filho".

Segue: "Com o advento do computador em lares mais abastados, a coisa piorou. Conectados à internet, casa passou a ser ksa, acho virou axo; Oi, tudo bem pode ser abreviado pra 8do bm. Virou bagunça. Um livro didático de língua portuguesa adotado pelo MEC (Ministério da Educação) ensina as crianças a utilizar a ‘norma popular da língua portuguesa’. Imagine seu filho dizendo: ‘nós pega o peixe’, ou nós fumo em vez de nós fomos".

Admiradora de Eliane Brum e Gay Talese, Eliane cultua o Jornalismo investigativo profundo. "Todo Jornalismo é investigativo, mas, acomodados, muitos profissionais se limitam a pinçar informações na internet ou por meio de telefone. Eu gosto de contato, gosto de visitar, gosto de sentir o clima dos lugares e dos personagens sobre os quais vou escrever".

Aprofunda: "Lendo ‘dinossauros’ da Comunicação como Cláudio Abramo e Ricardo Kotscho, vendo como eles trabalhavam a notícia, concluo que hoje pouco se apura. Os tempos exigem que os meios de comunicação saiam na frente com a notícia, não há tempo para ‘marinar’. A culpa não é dos jornalistas. Está nos gabinetes, nos interesses que cada veículo tem em publicar suas manchetes".

Ardorosa defensora da exigência do diploma de Jornalismo para exercer a profissão, a roraimense solta os cachorros: "Sou extremamente e radicalmente contrária à não exigência do diploma. Embora tenha citado Abramo e Kotscho, que não têm formação acadêmica, falamos de um jornalismo em que qualquer pessoa escreve em jornais sem conhecimento de técnicas ou de ética. Não falo simplesmente dos erros ortográficos ou de organização de ideias. Muitas vezes esse tipo de ‘profissional’ nem sabe o que escreve e enche a boca dizendo: ‘eu sou jornalista’. Ele está certo. Hoje, qualquer um pode encher a boca e dizer que é jornalista, pois o Supremo Tribunal Federal (STF), a corte maior do País, entendeu que sim".

Esperançosa: "Mas eu morro afirmando que sou contra. Sempre vou olhar com desconfiança para repórteres que começaram no fundo do quintal. TVs locais fazem escola. Tem ‘jornalista’ que bate no peito e se orgulha por não ter esquentado a bunda no banco de uma faculdade. Outros dizem se orgulhar de ter colocado muitos ‘jornalistas’ no mercado. Eu tenho vergonha dessa gente. Ainda guardo esperanças de que o Congresso Nacional reveja essa situação".

Elineuda, irmã mais velha da jornalista premiada, aos 44 anos enfrentou vestibular e hoje cursa Enfermagem em Belo Horizonte (MG). Diz espelhar-se no exemplo de Eliane.

 

 

 


Aroldo Pinheiro - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Fotos: France Telles

Comentários  

 
0 #3 MARCIA ADRIANA 31/05/2011 12:22
Amiga vc merece tudo isso e muito que DEUS te ABENÇOE , o que eu fiquei mai feliz foi de ver sua BARRIGA amiga que acontecimento mais lindo , eu nunca pensei em ver vc vivendo uma maternidade, estou muito feliz queria muito esta ai pra lhe dar um grande abraço, te gosto muito, agora que vc sempre foi competente isso eu sei a muitos anos, PARABENS
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0 #2 Eliane Rocha 27/05/2011 20:14
Soninha, querida. Embora seja suspeita, sua declaração é valiosa pra mim.
Obrigada pelo carinho.
Você é meu exemplo de mãe. Tomara que Beatriz tenha a mesma sorte que os pequeninos Lucas, Alice e Sofia ;)
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0 #1 Sônia Lúcia 24/05/2011 04:37
Eliane Rocha: uma mulher fantástica. Sou suspeita para falar, mas ela é amiga, companheira, honesta e determinada.
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