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A segunda maior causa de mortalidade humana é o câncer, termo que designa genericamente um conjunto de 100 doenças surgidas a partir do crescimento desordenado das células, o que prejudica o funcionamento de tecidos e órgãos. O câncer de mama é o segundo mais frequente, atingindo tanto mulheres como homens. Em Roraima, cerca de 40 casos deste tipo são diagnosticados anualmente.
Atento a estes números e à necessidade do poder público investir cada vez mais no diagnóstico precoce para garantir a saúde da população, o vereador Joziel Vanderlei, em conjunto com a vereadora Lourdes Pinheiro, apresentou e teve aprovado pelos seus pares um projeto de lei que institui a Semana Municipal de Prevenção ao Câncer de Mama. Para ter validade, aguarda sanção do prefeito Iradilson Sampaio.
A proposta é que a prefeitura de Boa Vista realize as atividades previstas no projeto sempre na semana que coincida com o 29 de abril, Dia Nacional de Combate ao Câncer de Mama. O projeto de lei prevê que sejam intensificados os trabalhos de atenção primaria para prevenção e detecção precoce da doença e garantidos imediatos encaminhamentos para atendimentos na rede especializada, quando for o caso. Além disso, deve ser promovida uma campanha institucional explicando o que é o câncer de mama e suas formas de prevenção.
Outra atividade são os exames preventivos gratuitos em mulheres com mais de 35 anos, por meio de parcerias com as secretarias estaduais e municipais de Saúde; atendimentos e palestras focadas no esclarecimento da população e divulgação de dados sobre a redução dos índices de mortalidade vinculada à doença. Paralelamente aos trabalhos de atendimento, devem ser promovidos seminários, palestras ou jornadas de estudos para atualização dos profissionais que atuam na área de saúde.
“É preciso que tenhamos uma semana para convocar todas as instituições que cuidam dessa área e fazer uma força-tarefa para buscar mulheres, principalmente as mais humildes, que não sabem como fazer o auto-exame e ensiná-las. A semana será uma oportunidade de salvar vidas”, afirma Joziel Vanderlei.
O vereador conta que a iniciativa de apresentar o projeto surgiu depois que uma parente teve de extirpar a mama. “Mesmo sendo esclarecida para outras coisas, não tinha o costume de fazer o auto-exame. Quando descobriu, era tarde. Hoje ela procura divulgar para outras mulheres como se prevenir. Por isso eu acho que a semana vai ajudar principalmente as mulheres mais carentes, as que têm mais dificuldades para saber como e quando fazer o exame”, reforça.
MUNICÍPIO E ESTADO – Conforme a assessoria de comunicação da Prefeitura, nas unidades de saúde municipais os médicos e enfermeiros fazem o exame clínico das mamas durante o preventivo. Caso seja detectada alguma suspeita, a paciente é encaminhada para o Centro de Referência da Mulher.
Dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam que Roraima apresenta anualmente de 30 a 40 novos casos de câncer de mama. As mulheres com diagnóstico da doença contam com os serviços da Unacon (Unidade de Alta Complexidade Oncológica): oncologia clínica e cirúrgica, psicologia, nutrição, fisioterapia, serviço social, enfermagem e cuidados paliativos.
O câncer de mama é tratado com a associação de cirurgia, quimioterapia e radioterapia. A Secretaria diz que não há fila de espera para o tratamento de quimioterapia. Já os pacientes que precisam passar pela radioterapia são atendidos pelo Tratamento Fora de Domicílio (TFD) e encaminhados ao vizinho estado do Amazonas.
Na Unacon, o cirurgião oncológico define e realiza o procedimento de retirada da mama doente, a mastectomia total ou parcial. O cirurgião plástico entra em cena num segundo momento para a reconstrução com prótese ou músculo da própria paciente. O Estado pretende realizar de duas a quatro cirurgias de reconstrução de mama por mês. Cerca de 30 mulheres aguardam a reconstrução mamária. A consulta com o cirurgião plástico no CAPO no HGR deve ser agendada em horário comercial pelo telefone 21210612).
Liga desenvolve trabalho preventivo permanente
Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, a cada 36 minutos uma mulher morre no Brasil vítima de câncer de mama. Todo ano 50 mil novos casos são detectados no País, sendo 70% diagnosticados em estágios avançados, o que dificulta o tratamento e pode resultar em morte.
Focada no trabalho de promoção da saúde e prevenção e diagnóstico da doença, a Liga Roraimense de Combate ao Câncer desenvolve também permanentemente ações de esclarecimento e assistência a pessoas diagnosticadas.
Com 19 anos de existência, a Liga tem uma equipe de 14 pessoas, entre voluntários e servidores cedidos pelo Estado e Município, dirigida pela médica ginecologista Magnólia Rocha. A sede da instituição fica na avenida Ville Roy, 4.706, Aparecida. O telefone é (95) 3623-2899.
A Liga, que tem como apoiadores mais antigos o Sesi e a Eletrobras, oferece diariamente os serviços de apoio a realização de exames oncológicos, atendimento médico e psico-oncológico, serviço social, assistência jurídica, o programa de prevenção de câncer (com palestras e ações itinerantes) e o programa Renascer (que busca melhorar a renda e a educação das pessoas em tratamento ou já tratadas do câncer ).
O TRIPÊ DO ATENDIMENTO - Em entrevistas realizadas com mulheres atendidas nas ações itinerantes da Liga, conta Magnólia Rocha, foi detectado que muitas vezes o exame clínico de mama não está sendo feito por profissionais habilitados.
“Constantemente achamos mulheres que já fizeram mamografias sem nunca terem tido as suas mamas examinadas. Para você acompanhar e fazer um controle de detecção precoce do câncer de mama precisa-se de um tripé: a anamenese (que identifica os fatores de risco para a doença), o exame clínico das mamas e os exames de ultrassonografia e mamografia (para maiores de 40 anos). A partir daí é possível formalizar um diagnóstico”, afirma.
A médica diz que projetos como o do vereador Joziel Vanderlei, instituindo a Semana Municipal de Prevenção ao Câncer de Mama, são louváveis para a saúde em Boa Vista. Entretanto, ressalta que o projeto deve garantir a acessibilidade das mulheres aos serviços públicos. “É preciso que as pacientes tenham assegurado pela saúde municipal o diagnostico e pela saúde estadual o tratamento”, destaca.
Edgar Borges
Texto e artes