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Coluna - Adriana Cruz - Entrevista

Sex, 23 de Julho de 2010 23:21 Administrador
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Gilvan Costa é cearense, nascido na cidade de Cruz, em 26 de fevereiro de 1972. Solteiro (separado, pais de dois filhos - Giullia e Arthur). Desde 1993 mora em Roraima, onde atua em Jornalismo desde 1995. É formado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e especialista em Assessoria de Comunicação e Novas Tecnologias pelo IBPEX. Atua como assessor de comunicação no Serviço Social do Comércio (Sesc) desde 1995. Também já trabalhou no jornal Correio de Roraima (2001-2003) e na Rádio Equatorial FM (2003-2005). É editor do site www.roraimaemfoco.com. Na área sindical, é presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Roraima (Sinjoper) desde 2006, tendo sido reeleito em 2009 para mandato até 2012. É vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) na região Norte 1 (Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia) e nosso entrevistado de hoje

1)    Vamos começar falado de profissão, como esta hoje a profissão de jornalista, o mercado ainda é promissor em nosso Estado?

R – A profissão recebeu um duro baque com a queda da exigência do diploma para o exercício da profissão no ano passado. Desde 2010, quando começou o processo que culminou com a queda do diploma, a profissão vem sofrendo um processo de precarização, desrespeito por parte das empresas de comunicação e até pela própria classe política, em muitos casos. Porém, o que se tem observado é que a categoria continua esperançosa de que possa haver o restabelecimento do diploma através de duas Propostas de Emenda Constitucional (PEC) que tramitam no Congresso Nacional e devem ser votadas ainda este ano. O mercado de trabalho em Roraima, assim como no resto do País, vem sofrendo um processo de saturação nas mídias convencionais como jornal, TV e rádio, mas as novas tecnologias vêm proporcionando uma abertura maior para os profissionais, que usam a internet como uma nova chance de entrar no mercado de trabalho. Outro campo promissor é o de assessoria de imprensa.

2) Existe um piso salarial da classe é bom, ou muito baixo?

R – Roraima é um dos poucos estados onde não existe um piso salarial homologado na Superintendência Regional do Trabalho (SRT). Isso acontece, principalmente, devido o Estado não contar com um sindicato das empresas de comunicação, o que dificulta as negociações da categoria. Entretanto, esse ano o sindicato reuniu a categoria e estipulou um piso salarial, que foi enviado à SRT e está á espera de alguns ajustes para que possa ser encaminhado á negociação com as empresas.

3) Muitas profissões exigem diploma para exercício da função. Em sua opinião, o diploma para exercer a profissão de jornalista é totalmente dispensável?


R – De forma alguma. Muito pelo contrário. O jornalismo, assim como a maioria das profissões requer conhecimentos técnicos e teóricos que não se adquire somente na prática diárias das redações. Além de que, ao passar pelos bancos acadêmicos, a pessoa aprende também que ser jornalista não é simplesmente escrever bem, tem uma boa dicção ou ter m rostinho bonito para aparecer na TV. Ser jornalista requer também compromissos éticos e responsabilidades que somente um curso universitário pode ajudar a formar no indivíduo. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e seus 31 sindicatos filiados em todo o Brasil defendem o diploma para o exercício da profissão, por entender que é necessário que o mercado seja formado por profissionais que tenham além do conhecimento técnico e prático, o discernimento para entender que nossa profissão exige muito além disso.

4) Você tem um site de noticias, o Roraima em Foco, sendo um dos pioneiros nesse tipo de jornalismo no Estado, fala um pouco do site, da linha editorial e quais as principais dificuldades e realizações com o site?

R - O meu site (www.roraimaemfoco.com) é um jornal eletrônico diário que está no ar há 5 anos. Da mesma forma que um jornal impresso como o Roraima Hoje, o site tem dificuldades para o fechamento de matérias. O corre-corre é o mesmo, mas a gente consegue mantê-lo sempre atualizado. A linha editorial do site é diversa, abrangendo todas as formas de notícias, sejam elas culturais, esportivas, políticas ou do cotidiano, abrindo espaço também para notícias do Interior do Estado. O site também tem duas colunas sociais: a Vitrine, de Teozeta Parente, voltada para a cobertura dos eventos sociais que acontecem no estado; e a Resenha, de Paulo Vitor Almeida, que é voltada para o público mais jovem, fazendo a cobertura de festas e eventos na cidade. O Roraimaemfoco também tem uma linha opinativa, com a participação de diversos articulistas e cronistas locais e de nível nacional.

5) Em Roraima, conta como é que funciona o webjornalismo, é possível ganhar dinheiro com o site?

R – Por incrível que pareça, o que mais dificulta a produção de webjornalismo em Roraima é a precariedade da internet, já que hoje é uma ferramenta fundamental no trabalho do jornalista. Ganhar dinheiro com o webjornalismo ainda não é uma tarefa fácil em Roraima. As empresas locais ainda não atentaram para o fato de que anunciar na web dá retorno, já que é um sistema que está 24 horas disponível e pode ser acessado pelo público sem restrições. Mas, aos poucos isso está mudando. Talvez a falta de uma internet de melhor qualidade de acesso contribua para isso.

6) Você acredita que as publicações on-line irão pôr em perigo os "velhos" jornais de papel?

R - Não. Se cogitou muito isso no início, quando a maioria dos jornais e revistas começaram a publicar seu conteúdo na internet. Mas, o que se tem visto hoje é um crescimento substancial da venda de impressos em todo o mundo. O impresso tem a vantagem de ser mais prático e poder ser lido em qualquer lugar, coisa que a internet não permite ainda.

7) Como esta o Sinjoper hoje, qual a situação, quantos sócios, e qual é o seu papel?

R - O sindicato hoje tem suas atenções voltadas para a mobilização em torno do restabelecimento do diploma para o exercício da profissão e do estabelecimento de um piso salarial da categoria em Roraima. São duas missões complicadas porque requerem muitas negociações. O sindicato tem hoje cerca de 200 associados. Seu papel é de lutar pelos direitos da categoria, como salário digno e melhores condições de trabalho, entre outros.

8) E com relação a desobrigatoriedade do diploma, qual sua opinião e o que o sindicato e a Fenaj  tem feito?

R - A Fenaj e todos os sindicatos tem lutado desde 2001 para que a profissão seja respeitada e possamos ter o restabelecimento do diploma. Isso tem sido feito tanto na esfera jurídica quanto na política, tentando convencer os deputados e senadores pelo voto favorável às PEC’s que tramitam no Congresso.

9) Quais os planos e metas para o futuro?

R - Estamos iniciando um novo mandato no sindicato que vai até 2012. Também estamos fazendo parte da Chapa 1 da Fenaj, nas eleições que acontecem na próxima semana em todo o País. Esperamos conseguir dar mais dinamismo às ações do sindicato, além de conseguir o estabelecimento do piso salarial da categoria e a aquisição de uma sede própria para o Sinjoper.

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